Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

Estádios Freudianos

 

 

    Para Freud, o desenvolvimento da personalidade processa-se numa sequência de estádios psicossexuais que decorrem desde o nascimento até à adolescência: estádio oral, anal, fálico, de latência e genital.

    A cada estádio psicossexual corresponderia uma determinada zona erógena. E aos diferentes estádios do desenvolvimento corresponderiam conflitos psicossexuais específicos.

    O desenvolvimento da personalidade estaria relacionado com a qualidade das experiências emocionais vividas nos diferentes estádios. É importante salientar que para o fundador da psicanálise as grandes modificações afectivas acontecem nos três primeiros estádios. A personalidade estaria praticamente formada por volta dos 7 anos.

 

 

Estádios freudianos

 

Estádio Oral

Desde o nascimento até aos 12/18 meses

Durante este período a boca é a principal fonte de prazer, tornando-se numa zona erógena, dado que não se presta apenas à satisfação das necessidades alimentares do bebé, como também se constitui como fonte de prazer sensual, pelo que nesta fase, seja ou não alimento, tudo o que a criança agarra é levado à boca. O seio materno é então fonte de grande satisfação que lhe permite estabelecer uma relação afectiva de proximidade com a mãe, cuja natureza marca o modo como futuramente se relacionará com o mundo. No início deste estádio, a criança vive um estado de indiferenciação eu- mundo com o qual contacta fundamentalmente através da boca e é por isso que durante alguns meses se limita a mamar no seio, na chupeta ou no biberão passivamente. Posteriormente, ela própria procura agarrar qualquer objecto, chegando a mordê-lo, de acordo com o desenvolvimento de uma oralidade mais agressiva, para a qual contribui o aparecimento de dentição.

Segundo Freud, a fixação neste estádio conduz à tendência exagerada para comportamentos de gratificação oral, como por exemplo, comer, beber, beijar e fumar.

Neste período, começa-se a estruturar a personalidade, desenvolvendo-se algumas características com dimensões bipolares, de acordo com o excesso de satisfação ou de desprazer.

 

Estádio Anal

Dos 12/18 meses aos 3 anos

Neste período, mais especificamente aos 2 anos, a criança começa a desenvolver o controlo muscular ligado à defecação, sendo que a descarga reflexa produzida pela pressão nos músculos do esfíncter anal, torna-se agradável. Deste modo, tanto reter, como expulsar fezes torna-se numa fonte de prazer, constituindo a região anal como a zona erógena desta fase. Também por esta altura, os pais preocupam-se com a criação de hábitos de higiene. Se a exigência dos pais for demasiado rígida a criança tende a reter as fezes ou a expulsá-las nos momentos mais inoportunos.

Segundo Freud, a educação do asseio demasiado restritiva ou tolerante pode determinar 2 tipos de personalidade adulta:

 

- No retentivo-anal, verificam-se características como avareza, obstinação, meticulosidade, ordem compulsiva.

- No expulsivo-anal, verifica-se a tolerância, a submissão, a generosidade excessiva e desordem.

 

Estádio Fálico

Dos 3 aos 5/6 anos

A criança encontra-se no, cujo objecto da líbido são os órgãos genitais. Isto porque é nesta fase que a criança descobre que o corpo dos rapazes e das raparigas e diferente, pelo que a criança obtém prazer ao tocar nos órgãos genitais. Se os pais ensinam aos filhos que isso é vergonhosos, os rapazes podem contrair o medo da castração e as raparigas a “inveja do pénis”. Rapazes ou raparigas podem apresentar, futuramente, dificuldades de relacionamento sexual.

Nesta fase, as crianças vivem a primeira experiência de amor heterossexual. O rapaz nutre uma atracção especial pela mãe, ao mesmo tempo que desenvolve uma agressão competitiva em relação ao pai; contudo, procura imitá-lo para conquistar a mãe, desenvolvendo assim o conceito de masculinidade. Freud designou esta vivência “Complexo de Édipo”. No caso da rapariga, esta sente-se atraída pelo pai, vendo a mãe como um obstáculo à realização dos seus desejos, embora procure parecer-se com ela, de forma a seduzir o pai, construindo o conceito de feminilidade; esta vivência é designada “Complexo de Electra”. Quando estes complexos não são bem resolvidos, quer porque as fantasias sexuais infantis são satisfeitas por defeito ou por excesso, pode ocorrer uma fixação nesta fase, da qual resultam dimensões bipolares de personalidade: orgulho-humildade; sedução-retraimento; promiscuidade-castidade.

 

Estádio de Latência

Dos 5/6 anos aos 12/13 anos

Nesta fase, os desejos sexuais estão praticamente ausentes. Esta situação de apaziguamento das pulsões sexuais deve-se à amnésia infantil, processo pelo qual a criança reprime no inconsciente as experiências fortes do estádio fálico. A criança canaliza a energia psíquica para actividades de outro tipo. A curiosidade sexual cede lugar à curiosidade intelectual que a entrada na escola ajuda a desenvolver, também na medida em que afasta a criança do mundo familiar carregado de afectividade e portanto a exploração, a descoberta, a procura e a invenção ocupam a criança num sem- número de actividades de acordo com os seus gostos ou metas a atingir. Durante este período de acalmia sexual, a criança procura tornar-se numa espécie de “criança-modelo” bem comportada e apreciada pelos pais, professores e amigos.

O aparelho psíquico constituído pelas 3 instâncias (id, ego, superego) está completamente organizado nesta fase, pelo que a estrutura da personalidade se encontra praticamente formada. No estádio seguinte, o desenvolvimento psicossexual está terminado.

 

Estádio Genital

Depois da puberdade.

Nesta fase, a sexualidade desperta de novo e com grande intensidade, facto explicável pela maturação orgânica e aos impulsos desencadeados pela consequente produção de hormonas sexuais. Este estádio torna-se assim uma repetição dos períodos precedentes, pelo que se reactivam os conflitos vividos na infância. O complexo de Édipo é revivido pelo adolescente de uma forma muito especial, o amor vivido no período fálico em relação ao progenitor do sexo oposto é agora canalizado para uma atracção heterossexual por pessoas alheias ao universo familiar. A satisfação dos impulsos da líbido é procurada pela prática de actividades sexuais de natureza genital. Os jovens que atingem este estádio após terem resolvido os conflitos inerentes às fases anteriores, estão preparados para o exercício de actos ligados à reprodução, bem como para assumir as responsabilidades da idade adulta. Não há fixação neste período, visto ser a última etapa desenvolvimento psicossexual.

 

 

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